Ghost in the Shell 2: Innocence

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23 respostas neste tópico
 #11
O filme é bem diferente do primeiro, mas não achei ruim.
Só não tenho intenções de rever tão cedo.
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 #12
Eu sou um daqueles casos que acha maçante o primeiro, esse até que então, dá de 10 a 0 no quesito sono em relação ao anterior.
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 #13
Estou lendo um livro do Schuon e ele diz o seguinte:

''The machine transposes the need for happiness onto a purely quantitative plane, having no relation to the spiritual quality of work; it takes away from the world its homogeneity and transparency and cuts men off from the meaning of life. More and more we attempt to reduce our intelligence to what the machine demands and our capacity for happiness to what it offers; since we cannot humanize the machine, we are obliged, by a certain logic at least, to mechanize man; having lost contact with the human, we stipulate what man is and what happiness is.''

Quando nesse filme a Makoto dá um esporro na menina, pois ela não quer ser uma boneca (e, de acordo com a Makoto, a boneca também não gostaria de ser uma menina) é quando chegamos no ponto onde não só o homem é visto como máquina, mas sua estatura ontológica é menor que a da máquina, pois essa, por suas qualidades maquinais, é superior às limitações intrínsecas ao homem quantativamente. Existe algo meio de maligno na confusão que esse filme cria entre o homem e a máquina, e como eu li em um artigo que já não me recordo o nome, o autor do roteiro claramente tem preferência ao não-humano ao humano.

O artigo é esse: Hans Bellmer’s Dolls and the Technological Uncanny in Ghost in the Shell 2: Innocence de Steven T. Brown. É um estudo sobre a fonte das bonecas que são usadas no filme, que têm origem num artista alemão modernista do início do século XX que era especialista em fazer bonecas meio reais, meio esquisitas e fotografá-las em poses sensuais, meio que questionando a beleza como conceito e ideia humana. Eu não vou resumir o artigo, mas tem alguns trechos interessantes:

''(...) As I have already suggested in my discussion of his “anatomy of the physical unconscious,” Bellmer was intensely interested in the reversibility of inside and outside, in turning the inside out and the outside in.70 (...) The gynoids engage in acts of destruction and self mutilation in order to draw attention to the plight and exploitation of adolescent girls who have been kidnapped by the Kōjinkai gang and supplied to Locus Solus for the purpose of “ghostdubbing”—a process by which the mind or spirit of a human is transferred to a gynoid in order to make it more “desirable.” (...) Why is it necessary to make robots in our own image? Is it possible to coexist with forms of artificial intelligence without forcing them into the human mold? These are the sort of questions raised by Ghost in the Shell 2during the course of the anime’s engagement with uncanny ningyō.However, Oshii does not stop there. Just as important as the critique of the anthropomorphization of robots is a questioning of the human as such. (...)

'It is not only that dolls or gynoids are modeled after humans, it is that humans model themselves after the ideals embodied by artificial dolls such as gynoids. In other words, what we consider “human” is not simply a natural phenomenon but a complex sociocultural and philosophical construction. In response to Haraway’s philosophizing, Togusa exclaims in protest: “Children aren’t dolls!” However, Batou acknowledges Haraway’s point by remarking that “Descartes didn’t differentiate man from machine, animate from inanimate. He lost his beloved five-year-old daughter and then named a doll after her, Francine.” Descartes doted on the doll named Francine as if it were his
own daughter. Oshii not only blurs the boundaries between human and machine, animate and inanimate in order to evoke the uncanny, he also shows us the chiasmic intertwinement between the human and the machinic—the machinic in the human and the human in the machine'' (...) Oshii suggests a way outside of ourselves that is not conceived metaphysically in terms of transcendence but rather in terms of the “innocence” of becoming-animal.

(...) Although the girl released by Batou and Kusanagi proclaims loudly that she “didn’t want to become a doll,” Kusanagi criticizes the girl’s self-pity, saying that “if the dolls could speak, no doubt they’d scream: ‘I didn’t want to become human.’” In other words, the girl–gynoid interface evokes the loss of innocence rather than its positive assertion. If innocence is to be found here, it is not in the adolescent girls but rather in the gynoids before they have been imprinted by the girls.''

A ideia dos maconheiros que escreveram esse filme é a de que não só as máquinas têm uma categoria ontológica própria, ou seja, elas têm um nível de ser igual ao do homem, como o homem em sua obsessiva tentativa de utilizar a tecnologia de forma benéfica para si próprio é uma adaptação ''opressiva'' em relação à máquina, que esconde a incapacidade do homem de perceber a sua indiferenciação com uma máquina, pois a criação de um homem é, de acordo com eles, como criar uma máquina.

É duma estupidez incrível e são detentores de uma visão extremamente maligna da humanidade. A tecnologia não é mais uma ferramenta, mas é algo que é puro em si, mas é destruído pelo homem que o fez. É uma visão parecida com ambientalistas que tem ódio do homem, pois este destrói a sua amada natureza - ignorando que o homem é parte dela. No caso da natureza, ainda é fácil idealizá-la, pois realmente não é obra do homem, mas idealizar a tecnologia é demais. Esse filme é uma obra de arte, mas num análise mais próxima fica perceptível a má intenção dos realizadores. Para terminar, deixo essa citação:

''(...)At the very end of Ghost in the Shell 2, as Batou and his basset appear in the last shot in a mutual embrace, the becoming-animal of Batou approaches cyborg theorist Donna Haraway’s reflections on “companion species” as an attempt to find “non-anthropomorphic ways” to conceive of agencies and actors and the coevolutionary networks that constitute them.90 It is not simply, as Lisa Bode argues, that “the unconditional love and animal innocence of our pets is one of the few things that keeps us from becoming truly dehumanised while living and working in dehumanising systems.”91 Rather, it is that as we enter into coevolutionary networks with dogs, as we learn to coexist with nonhuman entities in the most intimate of spaces—our homes—we are altered by dogs as much as dogs are altered by us. In the end, Oshii suggests that our relations with dogs may be a possible way out of our anthropocentric obsession with uncanny ningyō, a way outside of ourselves. As Deleuze and Guattari put it: “There is no longer man or animal, since each deterritorializes the other, in a conjunction of flux, in a continuum of reversible intensities.”92''.
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 #14
eu me recordo de ser mais legal que o primeiro, que por sua vez são mais legais que os animes tv.

mas sinceramente, só me recordo isso, desculpem
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 #15
(06/02/2025, 09:32)Lonely Escreveu: @JJaeger, um anime que expõe a maluquice que é o transhumanismo é o filme 2 de GitS: escrevi sobre ele aqui (e uma crítica ao transhumanismo) https://anime-forum.info/showthread.php?tid=4219&page=2

Esse filme é muito bom, tenho que assistí-lo novamente.
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 #16
Reassisti ontem o GITS 2 inocence, descobri que foi uma colaboração com estúdio Ghibli. Icon_eek

Acho bem feito como usavam os CGI/efeitos computação limitados da época com o visual meio nublado/delírio do batou e ficou um visual muito legal.


Um tom pastel meio sombrio, não sei se fizeram remaster, mas ficaria incrivel com cores atualizadas.

O take inicial dessa cena é muito Anor londo de Dark Souls, devem ter bebido na mesma fonte:
[Imagem: cC4VfTV.png]
[Imagem: kOW0OLl.png]



Tem algumas cenas que a fotografia é impecável, simplesmente cinematográfica. Da para colocar atores de verdade para contracenar.

[Imagem: h6AaeKo.png]
Quando esse personagem começa a se mexer colocam fisheye lens na estante no fundo para dar um foco nele, fica um efeito foda.

O batou delirando a cena é meio azul/cinza:
[Imagem: OW12lin.png]

Nos segundos seguinte quando ele é detido e sai do transe volta para o tom colorido/pastel:
[Imagem: BBEMBqX.png]

Fico saudosista quando vejo essas animações antigas cheias de frames e bem feitas Icon_lol

É engraçado a fixação do autor com Basset Hound:
[Imagem: 2CT4jhP.png]
Ele sempre arruma motivo para colocar em GITs uma cena. Icon_lol

A história é interessante e continuação do primeiro filme, androids/robos de putaria saindo do controle e matando pessoas do nada. A trama é bem interessante com o batou sendo hackeado, ele fuzilando um quartel da Yakuza Icon_lol e como sempre alguma corporação/governo por trás da sujerada macabra toda.

Inclusive citam as 3 leis robótica do Asimov. Icon_eek

Plot não acrescenta nada a não ser o fato da Motoko que está sumida aparecer em algumas cenas.

Tirando o primeiro filme de 95, 2000/10 foi a década do GITS. As duas melhores séries ever, ótimos filmes enquanto nas décadas seguintes conseguiram errar quase tudo chegando naquela merda de 2045 que se passa nos EUA com um personagem americano Icon_lol
2 usuários curtiram este post: Roxas, Xenogears
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 #17
(04/03/2025, 10:31)gangrena Escreveu: Reassisti ontem o GITS 2 inocence, descobri que foi uma colaboração com estúdio Ghibli. Icon_eek

Acho bem feito como usavam os CGI/efeitos computação limitados da época com o visual meio nublado/delírio do batou e ficou um visual muito legal.

Link youtube: http://youtu.be/3IGTiFuDjTI?html5=1&start=0
Um tom pastel meio sombrio, não sei se fizeram remaster, mas ficaria incrivel com cores atualizadas.

O take inicial dessa cena é muito Anor londo de Dark Souls, devem ter bebido na mesma fonte:
Spoiler: Imagem   
Spoiler: Imagem   



Tem algumas cenas que a fotografia é impecável, simplesmente cinematográfica. Da para colocar atores de verdade para contracenar.

Spoiler: Imagem   
Quando esse personagem começa a se mexer colocam fisheye lens na estante no fundo para dar um foco nele, fica um efeito foda.

O batou delirando a cena é meio azul/cinza:
Spoiler: Imagem   

Nos segundos seguinte quando ele é detido e sai do transe volta para o tom colorido/pastel:
Spoiler: Imagem   

Fico saudosista quando vejo essas animações antigas cheias de frames e bem feitas Icon_lol

É engraçado a fixação do autor com Basset Hound:
Spoiler: Imagem   
Ele sempre arruma motivo para colocar em GITs uma cena. Icon_lol

A história é interessante e continuação do primeiro filme, androids/robos de putaria saindo do controle e matando pessoas do nada. A trama é bem interessante com o batou sendo hackeado, ele fuzilando um quartel da Yakuza Icon_lol e como sempre alguma corporação/governo por trás da sujerada macabra toda.

Inclusive citam as 3 leis robótica do Asimov. Icon_eek

Plot não acrescenta nada a não ser o fato da Motoko que está sumida aparecer em algumas cenas.

Tirando o primeiro filme de 95, 2000/10 foi a década do GITS. As duas melhores séries ever, ótimos filmes enquanto nas décadas seguintes conseguiram errar quase tudo chegando naquela merda de 2045 que se passa nos EUA com um personagem americano Icon_lol

Gosto muito desse filme, tô pensando em pegar pra rever um dia desses. Achei ele o mais filosófico dos filmes, e realmente, a cinegrafia dele é de alto nível.
1 usuário curtiu este post: gangrena
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 #18
(04/03/2025, 10:31)gangrena Escreveu: A história é interessante e continuação do primeiro filme, androids/robos de putaria saindo do controle e matando pessoas do nada.

As bonecas e cenas onde aparece as mesmas foram baseados nas obras de Hans Bellmer.
https://arteref.com/escultura/hans-bellmer/

Esse filme é bem legal.
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 #19
Acho que está para sair um relançamento em BD/4K esses dias.
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 #20
(05/03/2025, 14:37)PaninoManino Escreveu: Acho que está para sair um relançamento em BD/4K esses dias.

[Imagem: 0RB1h7x.jpeg]
1 usuário curtiu este post: gangrena
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