(12/05/2024, 19:29)Lucius Auri Escreveu: Sim, mas isso é apenas um modelo de economia entre vários. Já ouviu falar de cooperativas, aonde a produção e o dinheiro da empresa são distribuídos meio que igualmente entre as pessoas da empresa? Tem também o distributivismo, uma teoria economica católica com moldes parecidos com o cooperativismo, por exemplo, mas em escala político/social (riqueza sendo compartilhada entre todos que produzem o bem/produto/serviço, não concentrada nas mãos de uns poucos).
Cooperativa e distributivismo pressupõem uma coisa fundamental: voluntariedade. Eu estou na empresa ou faço parte da igreja por vontade própria e contribuo por vontade própria, e posso sair a hora que quiser. No Estado, no entanto, eu não tenho a opção de não cooperar, eu sou obrigado a pagar o lanche do outro. Isso está longe de ser solidariedade, caridade ou cooperativismo, está muito mais próximo de "coerção do bem" na verdade.
(12/05/2024, 19:29)Lucius Auri Escreveu: E está ignorando o fator social, de solidariedade e cooperação: se custa 1 real, é porque as pessoas chegaram a comum acordo que vai ser 1 real mesmo, porque é uma ajuda a trabalhadores pobres que, mesmo se esforçando, continuarão pobres durante boa parte de suas vidas, e ter comida acessível e barata é algo que ajuda eles. Se o produto talvez seja escasso, a solidariedade e cooperação com os pobres faz isso ser irrelevante.
Não existe solidariedade sem voluntariedade.
E as pessoas não chegaram em comum acordo. Um burocrata que teoricamente representa a população decidiu criar isso. Ninguém perguntou a opinião do Joaquin, da Fernanda, do Epaminondras, etc, eles votaram num marmanjo e esse marmanjo, além de coçar o saco, inventou um programa desses. Todo mundo paga por esse programa, não só os trabalhadores pobres. Até porque, se apenas os trabalhadores pobres pagassem por isso, não faz sentido eles pagarem por uma coisa e receber essa coisa "de graça" do governo, é mais fácil simplesmente ir num restaurante e pagar o serviço diretamente na boca do caixa (que sairia mais barato do que pagando pro governo).
(12/05/2024, 19:29)Lucius Auri Escreveu: E isso é até bem simples, veja só, em termos capitalistas: se as pessoas dão o preço que quiser ao que vendem, nada impede de as pessoas se organizarem, colocarem a ganância e lucro de lado, e botarem um preço solidário e que seja acessível aos trabalhadores pobres, que precisam dessa ajuda. E nada impede das pessoas se organizarem, fazendo uma espécie de conscientização solidária, social e cooperativa, e organizarem um preço mais ou menos fixo e baixo, para coisas que são necessidades básicas (ou Direitos Humanos), sem a lógica da ganância/lucro envolvida nessas coisas (moradia, educação, alimentação, lazer, saúde, etc...). E não falo nehum absurdo aqui, pois o bom senso diz que a economia tem como finalidade a dignidade do homem, não o lucro. Ou como disse bem Mário Ferreira dos Santos a economia foi feita para o homem, não o homem que foi feito para a economia.
Sim, as igrejas vazem isso. O meu irmão, por exemplo, realizava "sopões" na igreja que ele tem, indo em albergues entregar comida pros mendigos. Eles são os donos da sopa, eles decidem por vontade própria o preço, que é 0 reais.
No entanto, o meu irmão não obrigou ninguém a dar dinheiro pra fazer a sopa, ele pediu as pessoas que contribuíssem por vontade própria.
(12/05/2024, 19:29)Lucius Auri Escreveu: Mas obviamente, liberais apologistas da ganância vão dizer que bom, aí não vale, porque não tem lucro envolvido. E aonde tem uma lei dizendo que o lucro (ou ganância) é uma "lei economica" que tem ser seguida? Nada diz que um Bom Prato é uma espécie de aberração economica, ou alguma coisa do tipo, muito pelo contrário.
Lucro é a recompensa do risco, já falei isso em posts anteriores. Lucro não é uma lei econômica, escassez é. Você pode operar sem visar lucro, a tendência é que você vai quebrar a longo prazo se não tiver outra fonte de renda. Igrejas tem as contribuições voluntárias, empresas tem o seu produto ou serviço.
E o Bom Prato é uma aberração econômica, ele não existiria se as pessoas não fossem obrigadas a sustentar isso via impostos. Bem como qualquer programa social criado pelo Estado.
(12/05/2024, 19:29)Lucius Auri Escreveu: O que mais ouço de pessoas comuns é que falta mais Bom Prato serem construídos.
Pergunte a qualquer beneficiário do Bolsa Família e ele geralmente vai querer mais Bolsa Família, pergunte a qualquer pequeno ou médio empresário e ele geralmente vai querer menos Bolsa Família.
Pergunte a uma criança se ela quer mais doce e ela geralmente vai querer mais doce, pergunte a qualquer pai ou mãe se eles querem mais doce para a criança e eles geralmente dirão que não querem mais doce.
Quem se beneficia quer mais, quem paga quer menos.
Quem não entende as consequências quer mais, quem entende quer menos.
(12/05/2024, 19:29)Lucius Auri Escreveu: O Brasil é um dos poucos países do mundo que tem superprodução de alimentos, veja só, tanta superprodução que os oligarcas que vendem boa parte dela para o exterior vende as "sobras" (os alimentos imperfeitos) para o mercado interno nosso. Tudo alimento do bom e do melhor da nossa terra vai para estrangeiro, de oligarcas sem compromisso com a produção de alimentos nacional. Tá certo isso?
E eu sei lá, eles que plantaram, não eu. Eu decido o que eu faço com a minha propriedade, eles decidem o que fazem com a deles. No momento que você relativiza a propriedade alheia, você está permitindo que relativizem a sua.
(12/05/2024, 19:29)Lucius Auri Escreveu: Os oligarcas? Não se preocupe, o alimento que vai para os Bom Pratos não dão 1% da produção que eles tem nas suas terras. E isso vindo de, veja só, latifundiário desmatador que faz politicagem no congresso para fazer leis de desmatamento (bancada do Boi), que contrata pistoleiro, policial corrupto e assassino de aluguel para invadir propriedade privada de pequenos agricultores e que faz grilagem de terra. Como pode ver, só empresário "do bem".
Todos eles usam o poder do Estado pra atingir seus objetivos, não vi nada de anormal nisso. A Odebrecht faz o mesmo, a Friboi, etc.
(12/05/2024, 19:29)Lucius Auri Escreveu: E falar que política é só "ladrão" não adianta nada: se não coloca alguém "do povo" (ou algo perto disso), quem vai "emcampar" a política são empresários "oligarcas" e burocratas corruptos (que vai apertar a mão desses oligarcas).
Não existe ninguém "do povo", a máquina sempre vai ser operada por psicopatas. Novamente, "Ponerologia, psicopatas no poder". Quem anda com puta acha que ser promíscuo é normal, quem anda com drogado acha que chapar é bacana. O ambiente cria incentivos, e esses incentivos fazem com que tipos específicos de pessoas surjam em tais ambientes. O governo é uma encubadora de psicopatas, apenas os piores chegam no topo, isso acontece por diversos motivos, o principal deles é a separação de controle e propriedade. Se eu controlo algo que não é meu, eu não sinto as consequências, logo eu sou incentivado a fazer o que eu quiser com isso sem me preocupar seriamente no que isso vai acarretar.
(12/05/2024, 19:34)Gabrinius Escreveu: você tem ciência que nada disso importa pra eles? só o que importa pra eles é o que disse algum youtuber que falou pra eles que o pobre só não vira bilionário por causa do estado malvado.
(e, por algum motivo, eles acreditam)
Com o governo, nominalmente o pobre pode virar bilionário sem problemas. Na verdade, os pais ou os avós de todos desse fórum já foram milionários no passado. Em 1985 um bombom custava 60 mil cruzeiros, calcule quanto não era um salário mínimo. Todo mundo era milionário em 85.
Se existisse um Bom Prato naquela época, acho que custaria uma bagatela de míseros 50 mil cruzeiros

Riqueza não se trata de dinheiro no banco, apenas, se trata do seu custo de vida. Você pode ser pobre vivendo num iate, ou um rico vivendo num kitnet, tudo depende do quanto você precisa ter pra se sentir satisfeito.